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O slime está em alta entre as crianças e até mesmo entre os adolescentes, mas, apesar de aparentar ser inofensivo, trata-se de uma mistura de compostos químicos, como o borato de sódio, mais conhecido como bórax. Por toda a química envolvida, é necessário que sejam tomadas algumas medidas de segurança para que crianças e adolescentes possam brincar sem comprometer a saúde. “O bórax, utilizado como ativador do slime, pode ser encontrado no nosso dia a dia, como em fertilizantes, produtos de limpeza e até mesmo em medicamentos, mas em concentrações e manipulações adequadas para não gerar nenhum efeito adverso. O maior risco para as crianças, em termos de intoxicação, está relacionado ao tempo de manipulação e à ingestão dessa substância, bem como à inalação ou não durante sua manipulação”, explica a Dra. Nathalie Moschetta Monteiro Gil, pediatra e neurologista infantil, prestadora de serviços no Hospital América de Mauá.

“Os sintomas da intoxicação pelo slime ou pelo bórax incluem náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia, assim como o descrito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nossa agência regulamentadora. A criança pode apresentar ainda aspecto azul-arroxeado ou acinzentado na pele e nas mucosas, caracterizando a cianose, um sintoma decorrente de uma intoxicação mais grave. Nesse caso, pode haver ainda queda de pressão, perda de consciência e até mesmo choque cardiovascular. O potencial da toxidade do bórax aumenta conforme são adicionados outros produtos químicos para colorir e texturizar as gelecas, como eram chamadas antigamente”, ressalta a pediatra.

Para as crianças, a parte mais divertida da brincadeira com o slime é sua fabricação. Por isso, por mais seguro que seja comprar um produto químico regulamentado pela Anvisa, o que deve obviamente ser algo prioritário, a produção também deve ser feita de uma maneira segura para as crianças, garantindo que sempre estejam acompanhadas por um adulto, tenham cuidados na manipulação e na mistura dos ingredientes e estejam com equipamento de proteção individual, como luvas. “É importante também que após a manipulação as mãos sejam muito bem lavadas, bem como os braços, e, claro, o tempo de exposição à substância não pode passar de 30 minutos a 1 hora por dia, tanto na fabricação quanto na brincadeira”, comenta a especialista.

No nosso país, a Anvisa contraindica o uso do borato de sódio e fornece orientações em caso de intoxicação: não provocar vômito na criança, não oferecer água, leite ou qualquer outro líquido e procurar assistência médica de imediato.

Alguns jornais internacionais, como The Guardian, além de outros veículos de informação, recentemente fizeram reportagens sobre o slime, relatando a ocorrência de queimaduras de segundo e até terceiro grau principalmente nas mãos, devido ao tempo prolongado de exposição à brincadeira – em alguns casos todos os dias e durante vários meses. “É fundamental que os pais se atentem para a questão dos efeitos a curto e longo prazo, desde queimaduras a intoxicações gastrointestinais. O mais importante seria substituir o ativador do slime, o borato de sódio, que é o principal componente tóxico da mistura química, por outras alternativas, como a gelatina, o amido e o marshmallow, que, por mais que não proporcione a mesma textura, é um slime seguro para todas as crianças”, conclui a médica.

Dra. Nathalie Moschetta Monteiro Gil, pediatra e neurologista infantil, prestadora de serviços no Hospital América de Mauá | CRM 163047

 


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Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1 milhão de pessoas entre 15 e 49 anos contraem Infecções Sexualmente Transmissíveis curáveis todos os dias. De acordo com dados divulgados pela organização, isso equivale a mais de 376 milhões de novos casos anuais de doenças como clamídia, gonorreia e sífilis. É o que explica o Dr. Claudio Roberto Gonsalez, infectologista e prestador de serviços no Hospital América: “As Infecções Sexualmente Transmissíveis, as ISTs, são distribuídas em três grandes grupos de sintomas: corrimento, úlcera e verrugas. Diversas doenças podem ser enquadradas em cada grupo, causando diferentes sintomas, mas essas três condições são o que elas têm em comum, permitindo dividi-las em grupos. Por exemplo, no corrimento, temos a gonorreia e a clamídia; na úlcera, cancro mole (causado por Haemophilus ducreyi), cancro duro e sífilis; e nas doenças verrugosas, HPV e molusco contagioso. Existem outros tipos de infecções, mas essas são as mais conhecidas. Os sintomas são característicos de cada doença: na gonorreia, por exemplo, o principal sintoma é o corrimento, com dor para urinar, febre e desconforto genital, tanto no homem quanto na mulher. No caso das úlceras, temos duas situações: úlceras indolores, como no caso da sífilis, ou extremamente dolorosas, como as causadas por Haemophilus ducreyi. Já nas lesões verrucosas, o sintoma principal é o surgimento de lesões vegetantes (verrugas), que podem aparecer não só na região genital, mas também na anal, perianal e no corpo do paciente; no HPV, o principal sintoma são as lesões em corda vocal. Para diagnosticar cada uma das doenças, existem exames específicos, como exames de sangue (sorológicos), pesquisa direta (secreções), no caso das úlceras, e biópsia, no caso de lesões verrucosas, para identificar o vírus causador e qual o seu subtipo, de modo a correlacioná-lo ou não com a possibilidade de câncer. Os tratamentos e medicamentos prescritos são específicos para cada doença. Existem medicações que podem tratar mais de uma infecção, mas é importante ter recebido orientação médica previamente. Procure sempre um especialista quando houver suspeita de alguma doença, como em casos de exposição sexual ou contato com sangue de terceiros, por exemplo. Só após avaliar o risco do paciente, o médico irá direcioná-lo para uma investigação mais precisa. Se o paciente perceber a doença quando já estiver com os sintomas, também é preciso buscar ajuda médica, consultando um infectologista, dermatologista, ginecologista, urologista ou outro especialista, para identificar qual a causa da infecção e receber o tratamento adequado.”

Dr. Claudio Roberto Gonsalez, infectologista e prestador de serviços do Hospital América de Mauá | CRM 57166


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Hospital América de Mauá alerta a população sobre os sintomas e riscos da doença

A Hanseníase, também conhecida como Mal de Hansen e historicamente como Lepra, é uma doença infecciosa crônica causada por um microorganismo (bactéria) chamado Mycobacterium leprae. Ela é transmitida de pessoa para pessoa, principalmente no convívio com doentes sem tratamento.  “A bactéria é transmitida pelas vias respiratórias (pelo ar), e não por objetos utilizados pelo paciente. Estima-se que a maioria da população possua defesa natural (imunidade) contra o M. leprae. Portanto, a maior parte das pessoas que entra em contato com a bactéria não irá desenvolver a doença. É sabido que a susceptibilidade ao M. leprae possui influência genética. Assim, familiares de pessoas com hanseníase possuem maior chance de adoecer. A doença acomete principalmente os nervos superficiais da pele e os troncos dos nervos periféricos (localizados na face, pescoço, braços, pernas), mas também pode afetar os olhos e órgãos internos (mucosas, testículos, ossos, baço, fígado etc.). Se não tratada logo no início, a doença quase sempre evolui, torna-se transmissível e pode atingir pessoas de qualquer sexo ou idade, inclusive crianças e idosos. Essa evolução ocorre, em geral, de forma lenta e progressiva, podendo levar a incapacidades físicas”, explica Dra. Thaiz Santos Ochôa, dermatologista, prestadora de serviços no Hospital América de Mauá.

A doença apresenta-se de várias formas na pele, podendo parecer como diversas outras doenças de pele mais comuns, o que pode dificultar o seu diagnóstico e atrasar o tratamento. A hanseníase ainda se configura como um grave problema de saúde pública em muitos países, inclusive no Brasil. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil e a Índia são os dois países mais endêmicos do mundo, sendo notificados, pois o Brasil apresentava no ano de 2009 15,4% (37.610 casos) dos doentes existentes no mundo, enquanto na Índia o índice era de 54,7% (133.717casos), o que torna a hanseníase uma doença de notificação obrigatória. “A OMS registra anualmente aproximadamente 250 mil casos novos de hanseníase no mundo, o que mostra a persistência da transmissão da infecção nas últimas 3 décadas; ou seja, mesmo com tratamento já estabelecido e fornecido gratuitamente pelos órgãos públicos, a hanseníase não foi eliminada. No Brasil, as regiões Norte e Centro-oeste apresentaram os maiores índices de notificações de novos casos de hanseníase no ano de 2012”, esclarece Dra. Thaiz.

No dia 27 de janeiro comemora-se o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase (janeiro Roxo). A data, celebrada sempre no último domingo do mês, reforça o compromisso em controlar a hanseníase, oferecer o diagnóstico da doença e seu tratamento correto, bem como difundir informações e desfazer o preconceito.  Durante todo o mês, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), por intermédio do Departamento de Hanseníase e a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), promovem campanhas e ações educativas para a população.

Os principais sinais e sintomas da hanseníase são: “Áreas da pele, ou manchas esbranquiçadas, acastanhadas ou avermelhadas, com alterações de sensibilidade ao calor e/ou ao tato, podendo ou não ser dolorosa; formigamentos, choques e câimbras nos braços e pernas, que evoluem para dormência – a pessoa se queima ou se machuca sem perceber; pápulas e nódulos (caroços), normalmente sem sintomas; diminuição ou queda de pelos no corpo ou no local da lesão, podendo acometer os pelos das sobrancelhas (madarose); pele infiltrada (avermelhada), com diminuição ou ausência de suor no local; diminuição e/ou perda de sensibilidade nas áreas dos nervos afetados, principalmente nos olhos, mãos e pés; entupimento, feridas e ressecamento do nariz; ressecamento e sensação de areia nos olhos”, pontua a especialista.

No início da doença, a lesão de pele pode ser única, mais clara do que a pele ao redor (mancha), não é elevada (sem alteração de relevo), apresenta bordas mal delimitadas, e é seca (“não pega poeira” – uma vez que não ocorre sudorese na respectiva área). Há perda da sensibilidade (hipoestesia ou anestesia) térmica e/ou dolorosa, mas a tátil (capacidade de sentir o toque) geralmente é preservada.  “Para direcionar o tratamento da doença, o paciente, no momento do diagnóstico, é colocado numa tabela de classificação, que possuem dois polos: de um lado os pacientes com mais imunidade e que, na maioria das vezes, possuem menos lesões; no lado aposto pacientes com baixa imunidade à bactéria e que possuem mais lesões. O diagnóstico da hanseníase deve ser baseado, essencialmente, no quadro clínico do paciente. Quando disponíveis, de qualidade e confiáveis, os exames subsidiários (baciloscopia e biópsia de pele) podem ser feitos. O teste de sensibilidade também pode ser realizado pelo médico”, ressalta Ochôa.

O tratamento da hanseníase é realizado através da medicação, poliquimioterapia, que, dependendo da sua classificação no momento do diagnóstico, pode ter a duração de 6 meses a 1 ano. O tratamento é supervisionado pelos agentes de saúde e possuem doses supervisionadas, de acordo com o Ministério da Saúde. “É imprescindível avaliar a integridade da função neural no momento do diagnóstico, na ocorrência de estados reacionais (durante o tratamento) e na alta por cura (término da medicação). O grau de incapacidade física é uma medida que indica a existência de perda da sensibilidade protetora e/ou deformidade visível em consequência de lesão no nervo. A prevenção de incapacidades em hanseníase inclui um conjunto de medidas visando evitar a ocorrência de danos físicos, emocionais e socioeconômicos. A principal forma de prevenir as deficiências e as incapacidades físicas é o diagnóstico precoce. O objetivo geral da prevenção é proporcionar ao paciente, durante o tratamento e após alta, a manutenção ou melhora de sua condição física, socioeconômica e emocional. Considerada a doença mais antiga da humanidade, a hanseníase tem cura, mas ainda é um grave problema de saúde pública”, finaliza.

Dra. Thaiz Santos Ochôa | Dermatologista | CRM 121.336 | Prestadora de Serviços no Hospital América de Mauá
Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.


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Dicas para o Verão!!!

Durante o verão, aumentam as atividades realizadas ao ar livre. A radiação solar incide com mais intensidade sobre a terra, aumentando o risco de queimaduras, câncer da pele e outros problemas. Por isso, não podemos deixar a fotoproteção de lado. Veja a seguir dicas para aproveitar a estação mais quente do ano sem colocar a saúde em risco.

Roupas e acessórios
Além do filtro solar, no verão é importante usar chapéu e roupas de algodão nas atividades ao ar livre, pois eles bloqueiam a maior parte da radiação UV.  Tecidos sintéticos, como o nylon, bloqueiam apenas 30%. Evite a exposição solar entre 10 e 16 horas (horário de verão). As barracas usadas na praia devem ser feitas de algodão ou lona, materiais que absorvem 50% da radiação UV.  Outro objeto que tem extrema importância são os óculos de sol, que previnem catarata e outras lesões nos olhos.

O verão é o momento de intensificar o uso de filtro solar, que deve ser aplicado diariamente, e não somente nos momentos de lazer.  Os produtos com fator de proteção solar (FPS) 30, ou superior, são recomendados para uso diário e também para a exposição mais longa ao sol (praia, piscina, pesca etc.). O produto deve proteger contra os raios UVA (indicado pelo PPD) e contra os raios UVB (indicado pelo FPS). Aplicar o produto 30 minutos antes da exposição solar, para que a pele o absorva. Distribuí-lo uniformemente em todas as partes de corpo, incluindo mãos, orelhas, nuca e pés. Reaplicar a cada duas horas. Porém, atenção, esse tempo diminui se houver transpiração excessiva ou se entrar na água. Dica: o uso de fluidos siliconados nas pontas dos cabelos impede que eles se danifiquem com o vento, sol ou maresia.

É importante também proteger as cicatrizes, especialmente as novas, que podem ficar escuras se expostas ao Sol. Já as antigas também devem ser protegidas, pois há risco de desenvolvimento de tumores, apesar de ser um evento raro. A proteção pode ser feita com uso de barreiras físicas como adesivos, esparadrapos ou por meio do uso de filtro solar.

Alerta: pessoas de pele negra têm uma proteção “natural”, pela maior quantidade de melanina produzida, mas não podem se esquecer da fotoproteção, pois também estão sujeitas a queimaduras, câncer da pele e outros problemas. Assim como as pessoas de pele mais clara, precisam usar filtro solar, roupas e acessórios apropriados diariamente.

Hábitos diários
As temperaturas mais quentes exigem hidratação redobrada, por dentro e por fora. Portanto, deve-se aumentar a ingestão de líquidos no verão e abusar da água, do suco de frutas e da água de coco. Todos os dias, aplicar um bom hidratante, que ajuda a manter a quantidade adequada de água na pele. Alguns alimentos podem ajudar na prevenção aos danos que o sol causa à pele, como cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba, pois contêm carotenoides, substância que se deposita na pele e tem importante ação antioxidante. Ela é encontrada em frutas e em legumes de cor alaranjada ou vermelha. No verão estamos mais dispostos a comer de forma mais saudável, ingerindo carnes grelhadas, alimentos crus e cozidos; frutas e legumes com alto teor de água e fibras e baixo de carboidratos. Apostar nesses alimentos ajuda na hidratação do corpo, previne doenças e adia os sinais do envelhecimento. No banho, recomenda-se usar sabonetes compatíveis com o tipo de pele, de preferência neutros, porém, sem excesso. A temperatura da água deve ser fria ou morna, para evitar o ressecamento.

Micoses: infecções causadas por fungos e que podem ocorrer na pele, unhas e cabelos.  Quando encontram condições favoráveis ao seu crescimento, como calor, umidade e baixa de imunidade, estes fungos se reproduzem e passam então a causar a doença. Os pés, a virilha e as unhas são os lugares mais comuns em que elas aparecem, mas isso não significa que outras partes do corpo estejam imunes. Vale lembrar que ninguém está livre delas, crianças, jovens, adultos e idosos. A melhor forma de evitá-las é manter hábitos de higiene, como: secar-se bem após o banho, principalmente áreas de dobras da pele, como virilha, entre os dedos dos pés e axilas. Deve-se também evitar andar descalço em pisos constantemente úmidos (lava-pés, vestiários, saunas). Atenção especial aos trabalhadores que usam os EPIs, o ideal é sempre rodiziar roupas e sapatos.

Miliária (brotoeja): pequenas bolinhas que surgem, especialmente em bebês, devido ao contato da pele com o suor, principalmente nas “dobrinhas” da própria pele ou das roupas. Podem ser bolhas transparentes com pouca coceira ou “bolinhas” avermelhadas que coçam bastante. Usar roupas leves e soltas e evitar locais muito abafados que propiciam a sudorese excessiva são algumas dicas para evitar brotoejas, sobretudo em pessoas predispostas.

Hipomelanose solar (Manchas e sardas brancas): as manchas e as sardas brancas surgem devagar e, quando menos se espera, lá estão elas.  Representam danos que os raios solares causaram na pele e aparecem gradativamente com o tempo, principalmente nas áreas expostas da pele.

Manchas senis ou melanoses solares: em geral, são escuras, de coloração entre castanho e marrom. Surgem em áreas que ficam muito expostas ao sol, como a face, o dorso das mãos e dos braços, o colo e os ombros. Já as sardas brancas aparecem quando há ação acumulativa da radiação solar sobre áreas de pele expostas ao sol de forma prolongada e repetida ao longo da vida. A melhor forma de evitá-las é não se esquecer do protetor solar. Essas lesões são benignas, não evoluem para o câncer da pele, entretanto, recomenda-se avaliação pelo dermatologista para diferenciá-las de lesões suspeitas, que merecem uma avaliação mais detalhada.

Fitofotodermatose (mancha do limão): ela sai depois de um tempo, diferente da melanose. Essa mancha é uma queimadura causada pela reação do componente químico da fruta com o sol. Muitas vezes não adianta só lavar, é preciso usar protetor solar para não queimar a pele. Importante lembrar que todas as frutas ácidas no sol podem manchar com menos intensidade, como abacaxi, laranja, tangerina, mas o limão é o mais comum.

Melasma. É a queixa mais frequente no consultório após o verão. Tem o surgimento relacionado a fatores genéticos, hormonais e sol. Costuma aparecer durante a gravidez ou por causa do uso de pílula anticoncepcional. Mas podem aparecer ao acaso, somente por exposição a luz visível. Não tem cura, mas tem melhora. Quem tem melasma precisa usar filtro solar acima de 50 FPS, duas vezes ao dia, e sempre prescrevo protetor solar com cor. Precisa também evitar lugares quentes, só o aumento da temperatura local da face (quando ficamos ruborizadas, com as bochechas vermelhas) pioram o melasma. Para os pacientes com melasma sempre friso que o sol não é o maior vilão, e sim a luz visível (UVA), radiação infravermelho, ambientes quentes (o próprio calor do fogão enquanto cozinhamos), a luz do computador, celular, de nossas casas, principalmente as luzes brancas que são as mais econômicas.

Acne solar: Formam-se lesões papulomatosas (bolinhas) com ou sem pus, sendo vermelhas, podendo ser doloridas como a acne comum da face. Ela é provocada pela mistura da oleosidade aumentada da pele, sudorese, uso do filtro solar e da própria radiação solar. Recomenda-se lavar o rosto com um sabonete adequado para o tipo de pele, usar tônicos mais adstringentes e filtros solares com base aquosa ou em gel, o que pode diminuir a oleosidade.

Pitiríase versicolor (pano branco): causado por um fungo que está presente no couro cabeludo. Pessoas com pele oleosa têm mais chance de ter. Também pode ser confundido com vitiligo.

– Quais cuidados com as crianças?
Em crianças, inicia-se o uso do filtro solar a partir dos seis meses de idade, utilizando um protetor adequado para a pele que é mais sensível, de preferência filtros físicos. Recomenda-se buscar orientação com pediatra ou dermatologista sobre qual o melhor produto para cada caso. É preciso que crianças e jovens criem o hábito de usar o protetor solar diariamente. É sempre bom lembrar que dar banho com sabonetes em crianças e deixá-las brincando na água com sabão é como deixar “roupas de molho”. A pele do lactante é muito fina, então assim que usar o sabonete no banho retire a criança da banheira. Use sempre sabonete neutro, podendo-se optar por sabonetes que se utilizam como shampoo e sabonete. Crianças apresentam suor intenso no verão. Utilize roupas leves, e para os pacientes de pele sensível ou com diagnostico de dermatite atópica, lembrar que o suor é muito irritativo para toda a pele, portanto é necessário um banho, rápido e morno, como o bom e velho banho de mangueira. Como sempre digo em toda consulta: Suor sai com água. Não precisa de sabonete. O menos é sempre mais para um atópico”. Criança também precisa se proteger do sol, e muito bem.

– Como se expor ao sol de maneira saudável para produção de vitamina D?
A vitamina D é um nutriente que é ativado na pele pelos raios solares UVB e nos rins com funções essenciais no ser humano, como a formação e manutenção dos ossos, absorção de cálcio e funcionamento adequado de uma série de órgãos. Alguns alimentos especialmente peixes gordos, são fontes de vitamina D, mas é o sol o responsável por 80 a 90% da vitamina que o corpo recebe. Nos últimos anos, observou-se que uma grande parcela da população mundial (adulta e infantil) apresenta níveis baixos de vitamina D, o que pode favorecer a disfunção de uma série de processos no organismo. Ao passo que os filtros solares bloqueiam eficientemente a radiação ultravioleta B, a região protegida pelo filtro solar apresenta menor síntese de vitamina D. Entretanto, em áreas com menor incidência de radiação solar, como o Uruguai, mesmo os indivíduos que não utilizam filtros solares apresentam níveis baixos de vitamina D. A SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomenda que se conheçam os níveis individuais de vitamina D e a reposição oral seja feita com acompanhamento médico. Assim como incentiva a exposição direta de áreas cobertas, como pernas, costas, barriga, ou ainda palmas e plantas, por 5 a 10 minutos todos os dias, a fim de sintetizar vitamina D, sem sobrecarregar as áreas cronicamente expostas ao sol. Níveis baixos de vitamina D foram verificados em portadores de diferentes doenças. Não há, porém, até o momento, evidências que a suplementação ou níveis altos de vitamina D levem à proteção contra o câncer da pele. E níveis muito elevados podem levar a graves danos nos rins. Finalmente, a SBD esclarece que a radiação solar é essencial à vida no planeta, e seres humanos privados do sol desenvolvem uma série de doenças físicas e psiquiátricas. Entretanto, é possível expor-se ao sol com cuidado, de forma leve e gradual, evitando queimaduras, câncer da pele e minimizando o envelhecimento, a fim de se beneficiar do bem-estar que ele nos proporciona.

CUIDADOS COM OS CABELOS:
A higiene capilar não possui uma regra, depende do tipo de cabelo do paciente e da região na qual ele mora. Isso porque existem fatores individuais e ambientais que influenciam na oleosidade e ressecamento dos fios. Pessoas mais maduras, mulheres na pós-menopausa, negras e aquelas com cabelos secos, em geral, lavam menos, pois o sebo não se distribui uniformemente da raiz à haste, seja pela baixa produção ou pelo formato do fio ser encaracolado. Se um paciente tem o couro cabeludo oleoso e passa um período sem lavá-lo, a tendência é que ele fique ainda mais oleoso, com aspecto nada bonito. Isso pode até mesmo favorecer o surgimento da dermatite seborreica naqueles que já tenham essa tendência. E tanto o excesso de oleosidade quanto a dermatite seborreica fazem cair os cabelos. Se uma pessoa com cabelos secos lavá-los mais do que deveria, a tendência é que fiquem ainda mais ressecados, com aquele efeito frizz (arrepiado). Além disso, é importante evitar o excesso de detergente que os xampus contêm. Não é a quantidade de produto aplicado que assegura uma higiene adequada, e sim a forma como é aplicada durante o banho. O paciente sempre deve dar mais atenção ao couro cabeludo na hora da higienização. Oriento sempre 2 aplicações do shampoo. A primeira aplicação é a mais importante. A aplicação do couro cabeludo, é ali que está concentrada a oleosidade. No verão o ideal é lavar os cabelos em dias alternados. Por isso, o xampu deve ser aplicado especialmente nessa região que, em seguida, deve ser massageada ainda com o produto. O ideal é que o xampu permaneça ali, em geral, por dois a três minutos. Na sequência, ele vai descendo e removendo os resíduos que ficam no comprimento dos cabelos até a ponta. A oclusão dos cabelos com bonés, capacetes (principalmente trabalhadores que usam capacete como EPIs), gorro, toucas aumentam a oleosidade do couro cabeludo e no verão para quem tem couro cabeludo oleoso pode se beneficiar com lavagens diárias. Lavar os cabelos diariamente nesses casos não é prejudicial.

Dra. Thaiz Santos Ochôa | Dermatologista | CRM 121.336 | Prestadora de Serviços no Hospital América de Mauá | Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.


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Hospital América alerta a população sobre o câncer de pele

Com a intenção de estimular a população quanto à prevenção e diagnóstico do câncer de pele, em 2014 a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) deu início ao movimento de combate ao câncer de pele denominado de “Dezembro Laranja”. Desde então, no último mês do ano, a entidade realiza ações para lembrar como evitar o câncer mais comum no país e convida a população a compartilhar nas redes sociais uma foto vestindo uma peça de roupa laranja, publicando-a com a hashtag #dezembrolaranja.

“As ações incluem iluminação de monumentos, iniciativas de conscientização em praias e parques com distribuição de filtro solar, entre outras. Todo ano o tema da campanha é renovado para atrair um maior número de pessoas nessa luta de conscientização. O câncer da pele é o tipo da doença mais incidente no Brasil, com 176 mil novos casos ao ano”, explica a Dra. Thaiz Santos Ochôa, dermatologista, prestadora de serviços no Hospital América de Mauá.

Em 2018, o tema da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele é “Se exponha, mas não se queime”. A ação ganha destaque com o movimento Dezembro Laranja, que informa a população sobre as formas de prevenção, com a adoção de uma série de medidas fotoprotetoras, e incentiva a procura por um médico especializado para diagnóstico e tratamento. “A primeira ação que assume maior relevância na campanha #DezembroLaranja ocorreu no dia 1º de dezembro, quando cerca de quatro mil médicos dermatologistas e voluntários somaram forças para a prestação de atendimento e esclarecimento no que se refere à importância de se adotar medidas preventivas. As consultas foram realizadas gratuitamente em 132 postos de atendimento, em diversos estados. Desde 1999, o mutirão já beneficiou mais de 594 mil brasileiros, e nesta 20ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele da SBD, a previsão é de que 30 mil pessoas sejam atendidas”, esclarece a especialista.

De dezembro deste ano a março de 2019, serão promovidas ações e atividades de informação na internet, ruas, praias e parques. As recomendações básicas da SBD incluem a adoção de medidas fotoprotetoras, como evitar os horários de maior incidência solar (das 10h às 16h); utilizar chapéus de abas largas, óculos de sol com proteção UV e roupas que cubram boa parte do corpo; procurar locais de sombra, bem como manter uma boa hidratação corporal. A sociedade médica também orienta para o uso diário de protetor solar com fator de proteção de no mínimo 30, que deve ser reaplicado a intervalos de duas a três horas, ou após longos períodos de imersão.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados para o Brasil, em 2018, 2.920 novos casos de câncer de pele melanoma em homens e 3.340 em mulheres.  Já os casos novos de câncer de pele não melanoma estimados são 85.170 em homens e 80.410 em mulheres. “O câncer de pele é um tumor de pele maligno, provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. A radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento de tumores cutâneos, e a maioria dos casos está associada à exposição excessiva ao sol ou ao uso de câmaras de bronzeamento”, destaca a doutora.

  • Carcinomas Basocelulares – É mais comum ocorrer em regiões expostas ao sol, como rosto, orelha, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Sinais e sintomas: às vezes, as lesões podem se assemelhar a outras doenças, como eczema (inflamação da pele) ou psoríase. Em geral, manifesta-se como uma mancha avermelhada, brilhante, com uma crosta no meio que pode sangrar com facilidade.
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  • Carcinoma Espinocelular – Sinais e sintomas: costumam ter coloração avermelhada e se parecem com machucados ou feridas descamativas que não cicatrizam e sangram às vezes. Mas também podem ter aparência similar a verrugas.
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  • Melanoma – Mais raro e letal que os carcinomas, o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Sinais e sintomas: como esse tipo de câncer afeta os melanócitos (que produzem o pigmento da pele), a manifestação é sempre uma pinta ou sinal acastanhado ou negro que muda de cor, formato ou de tamanho e pode causar sangramento. As lesões podem surgir em áreas menos visíveis, porém são mais comuns nas pernas (nas mulheres), no tronco (nos homens), pescoço e cabeça. Nos estágios iniciais, afeta apenas a camada mais superficial da pele, mas pode avançar para as mais profundas e alcançar outros órgãos, causando nódulos, inchaço nos gânglios linfáticos ou outros sintomas específicos na região afetada.
Dezembro Laranja

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não usar filtro solar diariamente, não reaplicá-lo, achar que em dias nublados ou chuvosos não é necessário passá-lo e fazer uso de maquiagens que contenham filtro, acreditando que já é o suficiente para se proteger dos raios solares, são os erros mais frequentes. “Outros erros das pessoas são: usar filtro solar só no rosto e se esquecer do corpo, se expor ao sol e querer se bronzear, fazer bronzeamento artificial e não ir ao dermatologista regularmente. O sol não é um vilão, mas a exposição solar indiscriminada, desprotegida e intermitente pode torná-lo um vilão por ele ser o principal fator de risco para o câncer da pele”, lembra a médica.

O autoexame no espelho e a consulta com o dermatologista é a melhor forma de detectar uma lesão e prevenir o câncer. “Na consulta realizamos o exame físico da pele. Junto com o exame físico, usamos uma técnica chamada dermatoscopia para avaliar as lesões de pele. Utilizamos um dermatoscópio, que é uma lente de aumento especial com fonte de luz própria para observar a lesão, e, se houver indicação, realizamos a biópsia da pele”, ressalta.

Somente um exame clínico, feito pelo dermatologista, ou uma biópsia podem diagnosticar o câncer de pele, mas é importante estar sempre atento aos seguintes sintomas: “uma lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente; uma pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; uma mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer, apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento”, relata a dermatologista.

Dezembro Laranja

 

Regra do ABCDE 
Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, os dermatologistas criaram uma metodologia baseada nas letras do alfabeto. Essa metodologia ajuda a identificar lesões de pele suspeitas.

– A – de assimetria: quanto mais assimétrica for uma mancha ou pinta, maior o risco de ser câncer;
– B – de bordas: bordas irregulares também são sinais de perigo;
– C – de cor: pintas com mais de uma cor e com tons pretos podem ser melanoma;
– D – de diâmetro: lesões com mais de 5 milímetros merecem mais atenção;
– E – de evolução: mudanças na cor, tamanho ou forma de uma lesão ou pinta devem ser investigadas.

Em dezembro começa o verão, o que torna nossa exposição ao sol muito maior do que nas outras estações do ano. Nesses meses mais quentes é necessário aumentar a proteção contra os raios ultravioletas e, assim, se prevenir contra o câncer da pele.
A proteção solar vai muito além do filtro solar e existem várias formas de proteger a pele do corpo todo contra os raios UVA e UVB. “É importante ressaltar que a proteção solar deve ser feita tanto em momentos de lazer, quanto de trabalho sob o sol. No caso do trabalhador que faz sua atividade ao ar livre, equipamentos de proteção individuais (EPI), como chapéus de abas largas, óculos escuros, roupas que cubram boa parte do corpo, e protetores solares são itens diários obrigatórios, para evitar que a exposição prolongada traga problemas de saúde”, pontua.

Fatores de risco

Cor da pele: pessoas de pele e olhos claro se que se queimam com facilidade têm maior risco de desenvolver a doença.

Exposição ao sol: a radiação ultravioleta (UV) do sol é o principal agente causador de danos no DNA das células da pele. A radiação é mais forte em países com clima tropical ou com altitudes elevadas. Quanto mais clara a pele, maior deverá ser o número do protetor solar.

Histórico: quem já teve câncer de pele tem probabilidade alta de apresentar novas lesões, por isso os cuidados devem ser tomados pelo resto da vida.

Radioterapia: alguns pacientes que fizeram radioterapia para tratar outros tipos de câncer podem ser mais propensos ao câncer de pele, especialmente se isso ocorreu na infância.

Uso de imunossupressores: drogas que evitam a rejeição de órgãos transplantados podem elevar o risco desse tipo de câncer.

Doenças de pele: alguns pacientes com doenças como albinismo, queratose actínica, (doença pré-cancerígena, causada por exposição solar crônica), vitiligo ou xeroderma pigmentosa (uma doença genética rara) podem ter risco aumentado, pois possuem imunidade diminuída contra as células cancerígenas, e/ou diminuição de melanina que absorvem as variações de raios ultravioletas.

Bronzeamento artificial: as câmaras de bronzeamento artificial também fornecem radiação UV e seu uso pode levar ao melanoma. É por isso que esses equipamentos foram proibidos para fins estéticos no Brasil desde 2009.

Outros: fatores ambientais ou ocupacionais como a exposição a fuligens, ao arsênico e seus compostos (utilizados na conservação de madeiras, em agrotóxicos e na metalurgia, entre outros), ao alcatrão de carvão (piche), a óleos minerais (industriais, não tratados ou pouco tratados) e a óleos de xisto (utilizados na indústria petroquímica) também podem levar ao câncer de pele.

Pacientes com algumas doenças que diminuem a imunidade têm maior chance de ter um câncer de pele, pois suas células de defesa que combatem as células cancerosas estão diminuídas.

Idade: os efeitos da radiação são cumulativos, por isso, quanto maior idade, maior a tendência a ter lesões cancerosas.

Hereditariedade: “A maior parte das mutações que levam ao câncer não é herdada, mas adquire-se ao longo da vida.” Porém, familiares de pacientes diagnosticados com melanoma têm risco mais alto e devem fazer exames preventivos com maior regularidade.

Tratamento para o câncer de pele

Cirurgia: é a principal forma de diagnóstico e tratamento para os cânceres de pele, bem como de lesões suspeitas ou pré-cancerosas. Radioterapia: pode ser indicada para destruir células cancerosas, evitar o retorno da doença ou para aliviar dores em casos de metástases ósseas.

Quimioterapia: embora não seja tão eficaz para o câncer de pele, pode ser indicada para melhorar a qualidade e prolongar a vida dos pacientes portadores de melanoma com metástase.

Imunoterapia: é uma opção para o tratamento do melanoma.

Terapia-alvo: pacientes com melanoma com alterações genéticas específicas, como é o caso da alteração BRAF, podem se beneficiar do uso desse tipo de terapia.

 

Dra. Thaiz Santos Ochôa | Dermatologista | CRM: 121.336 | Prestadora de Serviços no Hospital América de Mauá | Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.


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